Biodiversidade e o setor de construção civil
Neste sexto post da série sobre Biodiversidade, abordaremos as dependências e impactos do setor de construção.
Neste sexto post da série sobre Biodiversidade, abordaremos as dependências e impactos do setor de construção.
Como vimos no aqui, de modo a complementar as iniciativas locais e globais já em curso, é fundamental que as empresas ajam de forma responsável, buscando um compromisso com a transformação setorial, de modo a reduzir as pressões na natureza e na biodiversidade.
Vejamos como o setor de construção civil depende e impacta a natureza e as oportunidades para que essa transformação comece agora.
O ambiente construído – composto por edifícios, infraestrutura urbana, infraestrutura de transportes, infraestrutura marinha e costeira e cadeias de atividades upstream de mineração e extração – responde hoje por 40% das emissões totais de gases de efeito estufa (GEE). Segundo estudo do Boston Consulting Group de 2021, as cadeias de valor de infraestrutura contribuem para cerca de 25% da pressão na biodiversidade. Se a tendência de crescimento populacional for mantida, a área urbana pode crescer 1,2 milhão de km2 até 2030. A concretização dessa previsão e o consequente aumento de uso de água, produção de lixo e poluição trará pressões ainda maiores sobre a natureza e a biodiversidade. É preciso que o setor de construção civil aproveite as oportunidades para reduzir seus impactos no meio ambiente e restaurar a natureza, inclusive por meio de uma visão de circularidade nos sistemas de produção de materiais de construção e fluxos de resíduos.
A água é utilizada ao longo de toda a cadeia para a extração de matérias-primas, produção de materiais de construção e atividades de construção propriamente ditas.
Hábitats naturais são convertidos para abrigar novas edificações e infraestrutura.
Diversas matérias primas, como areia, cascalho, metais e madeira, são utilizadas.
O ambiente construído depende de serviços de regulação climática em escala local, regional e global. Esses serviços (prestados por florestas em áreas urbanas, por exemplo), podem mitigar os impactos de condições climáticas mais severas e melhorar o conforto térmico nas edificações.
Também depende de serviços de proteção contra riscos naturais, que previnem contra inundações e tempestades, além de controlarem a erosão.
| Impacto nas mudanças climáticas, tendo em vista que emissões de gases de efeito estufa (GEE) ocorrem em todas as etapas do processo de construção, com destaque para as etapas de produção de materiais de construção e de operação das construções (energia elétrica) ou infraestrutura (energia elétrica e combustíveis). | ||
| Mudança de uso da terra e oceanos, com a possibilidade de degradação de hábitats naturais e ecossistemas em todas as etapas do processo, com destaque para as etapas de extração de materiais e de implantação (remoção de vegetação e manejo inadequado de resíduos, em especial). No caso da infraestrutura de transporte destaca-se a fragmentação de hábitats durante a implantação. A degradação ou não no entorno durante as fases de operação e manutenção depende de seu correto gerenciamento. | ||
| Impacto no consumo de água durante todas as etapas, exceto demolição, e impactos sobre sua reposição (águas subterrâneas) devido a impermeabilização do solo. | ||
| Poluição da água e do solo principalmente nas etapas de extração e produção de materiais de construção, podendo ocorrer também nas etapas de implantação e operação e, principalmente, na etapa de demolição caso não haja destinação adequada de resíduos. | ||
Evitar novas conversões de hábitats naturais, sejam eles terrestres, marinhos ou aquáticos, selecionando áreas já antropizadas para construção. Evitar em especial áreas protegidas ou de importância ecológica. Quando a modificação de hábitats for inevitável, adotar medidas para que o impacto resultante seja positivo, por meio da combinação de ações de mitigação e compensação.
Priorizar reúso e reformas a demolições, reduzindo o consumo de materiais e a geração de resíduos. Adotar abordagens circulares em novas edificações, com foco em edifícios e infraestrutura com vida útil mais longa.
Selecionar materiais e priorizar a circularidade por meio da inserção de critérios relacionados à natureza nos processos de compra de matérias-primas, incluindo certificações de origem (ex: madeira), uso de materiais reciclados e reutilizados.
Adotar soluções baseadas na natureza (SBN), optando sempre que possível por métodos naturalmente utilizados por povos tradicionais na construção de abrigos ventilados e iluminados, observando a biodiversidade e o ecossistema local para integrar elementos naturais em construções novas ou já existentes – florestas urbanas, arborização e telhados verdes –, inclusive para combater as ilhas de calor em áreas urbanas (aumentados pela impermeabilização do solo). Riscos de inundação também podem ser reduzidos com uso de SBNs, por meio da restauração de zonas úmidas no entorno de cursos de água e outros sistemas de drenagem urbana sustentáveis.