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Biodiversidade Post

Biodiversidade e o setor de saneamento

O sétimo post da série sobre Biodiversidade aborda as dependências e impactos do setor de saneamento na natureza. A relação do setor com o crescimento populacional e o processo global atual de fluxo de materiais – do uso ao descarte –, além de sua relação direta com mudanças climáticas e disponibilidade hídrica, apontam para uma necessidade de ação urgente.

Como vimos nos posts anteriores sobre os setores de energia e construção, de modo a complementar as iniciativas locais e globais já em curso, é fundamental que as empresas ajam de forma responsável, buscando um compromisso com a transformação setorial, a fim de reduzir as pressões na natureza e na biodiversidade

Vejamos como o setor de saneamento depende da natureza e a impacta e as oportunidades para que essa transformação comece agora.

 

Como o setor de saneamento impacta e depende da natureza?

O saneamento – incluindo água, esgoto e manejo de resíduos sólidos – é um direito fundamental de todo ser humano e sua universalização é um dos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas. Essa atividade tem ampla dependência e impacto na natureza, sendo fortemente afetada pelo crescimento populacional. O processo global atual de fluxo de materiais – do uso ao descarte –, assim como a relação direta dos serviços de água e esgoto com as mudanças climáticas e a disponibilidade hídrica apontam para uma necessidade de ação urgente.

Cadeias de valor - água e esgoto e resíduos sólidos

Água e esgoto

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Fonte: Water utilities and services. Business for nature.

Resíduos sólidos

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Fonte: Waste management. Business for nature.

 

As principais dependências do setor de saneamento em relação à natureza são:

Materiais

A oferta de água para abastecimento depende do ciclo hidrológico e a cadeia de valor depende tanto de água da superfície (lagos, rios, canais etc.) quanto de águas subterrâneas como input. A qualidade da água também impacta diretamente o setor. A água é usada ainda para resfriamento e aquecimento em equipamentos, e para limpeza, triagem e processamento de resíduos.

As operações do setor dependem de energia para bombeamento de água e esgotos, transporte de resíduos e manutenção eficiente.

O setor também depende da qualidade e disponibilidade do solo. O solo compõe o ciclo hidrológico e é crítico para estocagem, captação, transmissão e purificação da água. Além disso, um solo adequado facilita a decomposição do resíduo orgânico e estabiliza o aterro sanitário. A disponibilidade desse solo adequado pode ainda minimizar a distância de deslocamento do resíduo para descarte.

 

Serviços ecossistêmicos

O serviço de regulação climática é fundamental: as secas, por exemplo, comprometem o fornecimento de água e a degradação do solo obstrui a absorção de carbono de resíduos orgânicos. O solo adequado permite eficiente gestão dos resíduos.

Serviço de proteção contra riscos naturais: ações contra inundações, tempestades e erosão auxiliam no tratamento adequado de águas e resíduos.

Quais os impactos do setor de saneamento na natureza?

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Mudanças do clima, em função das emissões de gases de efeito estufa (GEE), seja pelo uso de combustíveis fósseis no transporte, pela exposição de esgotos e resíduos sólidos no processo de tratamento, pela descarga exagerada nos corpos d’água, ou pela deposição inadequada no solo (lixões ou aterros) e incineração.

     
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Mudança no uso da terra e oceanos por conta da degradação de hábitats naturais e ecossistemas – o desvio de fluxos de água e a construção e expansão de estações de tratamento de esgotos e de resíduos sólidos podem levar à destruição do ambiente e de terras, impactando o ecossistema e a biodiversidade.

     
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Uso e reposição de recursos, por meio do consumo e degradação da água para além de sua capacidade de reposição, principalmente em função de acidentes e operações inadequadas como derramamento de óleo e rompimento de barreiras, que prejudicam a vida terrestre e marinha.

     
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As operações do setor quando malconduzidas – eliminação de água sem tratamento, infraestrutura defeituosa, gerenciamento não efetivo dos resíduos – resultam em poluição do ar, degradação do solo, poluição das águas (poluição plástica de outros materiais residuais) e poluição sonora, além da poluição por odor e por iluminação que afeta o ambiente natural, especialmente aquático. 

     
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Perda de espécies por conta da gestão inadequada de esgotos e resíduos sólidos, que pode levar ao sufocamento de animais e pode também quebrar cadeias alimentares, introduzir toxinas, espalhar doenças e promover a dispersão e proliferação de espécies invasivas.

 

Quais ações podem ser priorizadas pelo setor de saneamento para mitigar riscos e gerar oportunidades?

Evitar e reduzir as emissões de GEEs nas estações e aterros sanitários: monitorar o processo, reduzir o transporte e utilizar combustíveis limpos, reduzir o tempo de exposição de esgotos e resíduos, desviar os orgânicos com direcionamento dos nutrientes de volta ao solo, priorizar a recuperação dos gases dos aterros, detectar e reduzir vazamentos, otimizar a cobertura de saneamento, compactar os aterros e criar uso econômico para os descartados do processo (adubo e/ou energia).

Evitar e reduzir o uso de energia e água por todo o processo de tratamento: reciclar água, criar sistemas alternativos de captação (especialmente de água da chuva), oferecer serviços adequados para águas não tratadas, usar fontes de energia renováveis e estimular a economia circular desde o uso próprio de materiais reciclados até o incentivo à coleta seletiva e à criação de banco de resíduos industriais – que possibilite sua reciclagem ou reaproveitamento.

Restaurar e regenerar os sítios de tratamento de resíduos impactantes ao ecossistema: evitar captar água de regiões com estresse hídrico, implantar instalações em locais já degradados (evitando novas degradações), adotar soluções baseadas na natureza ao longo dos processos, criar hábitats para abrigo, alimento e criadouros às espécies endêmicas.

Mudar o foco da gestão de resíduos para a gestão de recursos: minimizar a deposição final do resíduo e o descarte de águas cinzas – águas residuais que são geradas em processos domésticos como lavar roupa, louça e tomar banho – com o princípio E4R (evitar gerar, reduzir, reusar, reciclar e utilizar as sobras dos resíduos), desenhando produtos apropriados para reúso e reciclagem ou investindo no aprimoramento da coleta e processamento de materiais. O resíduo deve ser visto como um recurso valioso e, quando inevitável, deve-se tentar convertê-lo em energia.

Transformar o setor com políticas de parcerias na circularidade: trabalhar com as comunidades para fortalecer o marco regulatório local, nacional e até internacional no efetivo apoio à implementação de uma economia circular, com uso eficiente dos recursos naturais e adoção de práticas sustentáveis ao longo de toda a cadeia produtiva.

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