Desafios das startups
Startups são geralmente definidas como empresas jovens que tendem a se basear em novas tecnologias para desenvolver planos de negócios escaláveis. Como as startups tendem a ser relativamente intensivas em pesquisa e desenvolvimento (P&D), investindo em projetos de elevada relação retorno-risco, elas têm potencial de se tornarem firmas de alto crescimento, sendo frequentemente público-alvo de políticas públicas de crescimento e inovação de vários países.
Entretanto, essas empresas tendem a enfrentar, principalmente em países em desenvolvimento, restrições ao crescimento, geralmente associadas ao acesso a fatores tradicionais como capital e capital humano. A escassez do capital gerencial (competências empresariais) – especialmente em países em desenvolvimento – também surge mais recentemente como um limitante ao crescimento dessas firmas. Embora haja poucos estudos empíricos sobre esse fator, há evidências de que essas restrições importam para o crescimento das empresas.
Programas de aceleração
A necessidade de capacitar empreendedores promissores por meio de intervenções personalizadas e intensivas, visando a construção dessas competências, tem levado à criação de programas de aceleração de startups em diversos países.
O caso do BNDES Garagem
No Brasil, o BNDES apoia a aceleração de empresas desde 2018, quando foi lançada a primeira edição do programa BNDES Garagem. O programa oferece uma combinação estruturada de aceleração, que envolve mentorias especializadas, acesso a redes de investidores e suporte técnico, sem apoio financeiro.
Ao investir na construção de competências empresariais de empreendimentos nascentes ou de empresas jovens já estabelecidas (as startups), o programa busca contribuir de forma decisiva para destravar o potencial de crescimento de negócios inovadores, promovendo o fortalecimento do ecossistema empreendedor e de inovação brasileiro. O programa, na sua segunda edição, apoiou 135 negócios ao longo de três ciclos de aceleração entre 2021 e 2023.
Resultados da aceleração por meio do BNDES Garagem
Estudo de avaliação de efetividade realizado sobre a segunda edição do programa indica que as startups apoiadas apresentaram crescimento positivo e significante após a aceleração, com efeitos médios de aproximadamente 29% no emprego formal, 105% na massa salarial, 13% no emprego de pessoal ocupado técnico-científico e 67% na respectiva massa salarial, em relação ao grupo de controle formado por empresas não selecionadas para o programa, mas que figuravam entre as mais bem colocadas no ranking da aceleradora.
Ao oferecer esse tipo de apoio, o BNDES demonstra ter um rol completo de soluções para inovação e para o alívio de restrições ao crescimento de empresas jovens com alto potencial de desenvolvimento, que vai desde a construção de competências empresariais ao fornecimento de funding para os diversos estágios de crescimento das empresas.
Apoio a startups destravando o impacto no desenvolvimento
Além de demonstrar que o programa tem atingido seu objetivo de estimular o desenvolvimento e os esforços inovativos dessas empresas, as evidências corroboram a visão de que a construção de competências empresariais é relevante para empresas jovens de alto potencial de crescimento, reforçando evidências em outros países em desenvolvimento sobre a aceleração de negócios.
Adicionalmente, o apoio nesse estágio inicial pode ser crucial para que essas empresas se tornem de alto crescimento e/ou potenciais líderes de inovação em novos mercados, com consequente impacto no desenvolvimento econômico do país.
Metodologia e base de dados
A base de dados utilizada para obtenção das variáveis de resultado é a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), disponibilizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Essa base foi cruzada com os dados de empresas participantes do processo de seleção do BNDES Garagem no período 2021-2023, que dispõe de informações de startups selecionadas e não selecionadas pela aceleradora, segundo o ranking de classificação das propostas que participaram da seleção do programa. As startups não selecionadas que ficaram bem classificadas no ranking foram usadas como grupo de controle, visando uma maior comparabilidade entre os grupos analisados.
Dado o desenho escalonado de aceleração de startups do BNDES Garagem, foi usado o estimador de diferença em diferenças proposto por Callaway e Sant’Anna para estimar o efeito médio do tratamento nos tratados.