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Crescimento econômico supera expectativas em 2024

O produto interno bruto (PIB) cresceu 3,4% em 2024, resultado surpreendente se levarmos em conta que a mediana das expectativas de mercado era de apenas 1,5% no início de 2024. O Estudo especial 43 analisa este resultado e as perspectivas para 2025.

O produto interno bruto (PIB) do quarto trimestre de 2024 (4T/2024) apresentou leve crescimento de 0,2% na margem, em comparação com o terceiro trimestre do mesmo ano, na série livre de influências sazonais. Com esse resultado, o PIB encerrou o ano de 2024 com crescimento de 3,4%, contra 3,2% em 2023, evidenciando a robustez da atividade econômica no Brasil no período pós-pandemia (Gráfico 1a). O resultado de 2024 foi, assim como nos últimos anos, surpreendente, sobretudo se levarmos em conta que a mediana das expectativas de mercado para o crescimento do PIB era de apenas 1,5% no início de 2024.

Nos últimos anos, nota-se uma clara subestimação da capacidade de crescimento da economia. Caso as medianas das projeções de mercado no início de cada ano tivessem sido confirmadas, o nível de atividade no acumulado de 2020 a 2024 teria sido cerca de 12% inferior ao prevalecente (Gráfico 1b).

Gráfico 1a. PIB: mediana Focus vs. resultado efetivo (var. % real a.a.)

 

Gráfico 1b. PIB: mediana Focus vs. resultado efetivo (2019 = 100)

Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e do Banco Central do Brasil (BCB).   Nota: (*) Para 2020 não se utilizou como referência o início do ano, e sim junho, quando os impactos da pandemia refletiram no desempenho da economia.

Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e do Banco Central do Brasil (BCB).   Nota: (*) Para 2020 não se utilizou como referência o início do ano, e sim junho, quando os impactos da pandemia refletiram no desempenho da economia.

 

Como oferta e demanda influenciaram o PIB em 2024

Pelo lado da oferta, o setor de Serviços teve a maior taxa de crescimento, exibindo bastante resiliência ao longo desses últimos anos, apesar do crescimento tímido no último trimestre do ano (0,1%). Pelo lado da demanda, a força do consumo das famílias mais uma vez foi o grande destaque. O dinamismo do mercado de trabalho, com a taxa de desemprego atingindo suas mínimas históricas, a política de valorização do salário-mínimo e a manutenção das políticas sociais de transferência renda contribuíram para esse resultado. Particularmente, em 2024, pode-se destacar também o elevado volume de precatórios pagos na virada de 2023 para 2024, que atingiu mais de R$ 90 bilhões. O investimento também teve alta significativa, refletindo tanto o segmento de Construção quanto o de Máquinas e equipamentos, com especial destaque para os equipamentos de transporte. 


Desaceleração no segundo semestre de 2024

Apesar do crescimento acima do esperado no consolidado do ano, a economia desacelerou no segundo semestre de 2024.  Enquanto nos dois primeiros trimestres do ano a economia teve expansão acima de 1,0% (o equivalente a mais de 4% em termos anualizados), no terceiro e no quarto trimestres a desaceleração ficou evidente.

 

Perspectivas para o PIB de 2025

Em resumo, a atividade econômica no Brasil apresentou um bom desempenho em 2024, especialmente no primeiro semestre do ano. Os resultados do terceiro e, principalmente, do quarto trimestre, porém, mostram que a economia entrou em trajetória de desaceleração, indicando uma tendência a um ritmo de crescimento mais moderado em 2025, especialmente por conta da política monetária mais restritiva. 

Apesar disso, o primeiro trimestre de 2025 deverá ser impulsionado pelo PIB Agropecuário, que se beneficiará de uma safra recorde. Algumas medidas importantes tendem, de alguma maneira, a moderar esse processo de desaceleração, como: (i) a liberação do FGTS para o saque-rescisão dos trabalhadores demitidos que optaram por modalidade de saque-aniversário, (ii) o fortalecimento do consignado para o setor privado e o (iii) pagamento de precatórios em volume considerável, na casa de R$ 70 bilhões.

Leia o estudo completo
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PIB

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