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O balanço de pagamentos do Brasil sob a perspectiva da variação de reservas

O balanço de pagamentos brasileiro tem apresentado mudanças importantes em sua dinâmica. O Estudo especial do BNDES 55 avalia o desempenho recente do balanço de pagamentos brasileiro em detalhes, com um enfoque no resultado da variação das reservas internacionais.

O balanço de pagamentos brasileiro tem apresentado mudanças importantes em sua dinâmica. Ao mesmo tempo em que se observa uma tendência de crescimento no superávit comercial, dependente de fatores externos como a demanda internacional por commodities, registra-se um aumento do déficit na balança de serviços e na conta de rendas. Como resultado, surge uma necessidade de financiamento externo para as transações correntes brasileiras.

Em um cenário em que os investimentos externos no país se tornaram insuficientes para financiar esse déficit, o estoque acumulado de reservas internacionais disponíveis tende a ser pressionado.

O panorama geral dos determinantes da variação de reservas pode ser visto abaixo, com destaque para a contribuição positiva, porém decrescente, da conta financeira e para o aprofundamento do déficit nas transações correntes (composto pelo saldo da balança comercial, de serviços e da conta de rendas). No geral, o país saiu de uma acumulação positiva de reservas de US$ 58,6 bilhões, em 2011, para a situação atual de perda de US$ 30,4 bilhões em reservas nos 12 meses fechados em junho de 2025.

 

Variação total das reservas internacionais (US$ bilhões*)

 

Fonte: Elaboração própria com base em dados do Banco Central do Brasil (2025).

Fonte: Elaboração própria com base em dados do Banco Central do Brasil (2025).

* Dados acumulados em 12 meses até jun. 2025.

 

Nota-se que o país passou de uma posição de acumulação líquida de reservas para uma trajetória de perda, impulsionada por déficits persistentes nas transações correntes e pela redução dos fluxos de investimento externo. Embora o superávit comercial tenha se ampliado no pós-pandemia, ele não foi suficiente para compensar o aumento dos déficits na balança de serviços e na conta de rendas, especialmente com a elevação dos pagamentos de juros e a crescente demanda por serviços estrangeiros.

No lado financeiro, observa-se uma queda significativa na atratividade do Brasil para investimentos diretos e em carteira, além do surgimento de novos desafios como o déficit na conta de capital associado aos criptoativos. Esses fatores, somados à menor entrada líquida de recursos, pressionam o nível de reservas internacionais e exigem um acompanhamento mais detido das contas do balanço de pagamentos. A continuidade dessa tendência pode comprometer a resiliência externa do país, tornando essencial o fortalecimento da capacidade de financiamento e a diversificação das fontes de entrada de recursos.

O Estudo especial do BNDES 55 avalia o desempenho recente do balanço de pagamentos brasileiro em detalhes, com um enfoque no resultado da variação das reservas internacionais.

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