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PIB do primeiro trimestre de 2024 supera expectativa do mercado

Estudo Especial n. 24 analisa o desempenho do primeiro trimestre que apresentou resultados positivos e ligeiramente acima das expectativas do mercado.

Edição n. 24/2024

 

O produto interno bruto (PIB) do 1º trimestre de 2024 (1T/2024) teve alta de 0,8% na margem, livre de influências sazonais, resultado ligeiramente acima das expectativas do mercado, que previa alta de 0,7%. Com esse desempenho, o nível da atividade econômica se manteve em linha com a tendência observada entre 2017 e 2019, que teve ritmo de crescimento médio de 0,5% ao trimestre, ou 1,8% em termos anualizados.

 

Esse resultado reverte, pelo menos parcialmente, a desaceleração da atividade econômica observada ao longo do segundo semestre de 2023.

 

A expansão de 2,9% do PIB em 2023 foi amparada pelo bom desempenho da agropecuária e dos serviços – pelo lado da oferta – e do consumo das famílias – pelo lado da demanda.

 

Por sua vez, a alta do PIB no primeiro trimestre de 2024 foi beneficiada pelo um forte de impulso fiscal de curto prazo decorrente do pagamento antecipado de R$ 93,1 bilhões de precatórios pelo Governo no fim de 2023. Soma-se a isso a antecipação, pelo Governo, ainda no primeiro trimestre de 2024, do pagamento de cerca de R$ 30 bilhões dos precatórios previstos para o ano todo, o que contribuiu para um maior dinamismo da atividade econômica no curto prazo.

 

Vale destacar que, com relação a oferta, a principal contribuição para o crescimento veio dos serviços (+0,8 pontos percentuais – p.p.), com expansão de 1,4% no 1T/2024 em comparação ao 4T/2023, com ajuste sazonal (Gráfico 3). Houve contribuição importante também do setor agropecuário (+0,6 pontos percentuais – p.p.) no 1T/2024 vis-à-vis o 4T/2023, na série livre de influências sazonais. 

 

Quanto a demanda, houve forte contribuição negativa das exportações líquidas (-1,0 p.p.) para o resultado do 1T/2024, corroborando o que os dados de quantum de comércio exterior já vinham mostrando nos últimos meses. Quanto a vendas internas (demanda doméstica, excluindo a variação de estoques), a contribuição foi bastante positiva (+1,6 p.p.), e com comportamento homogêneo entre seus principais componentes.

 

O consumo das famílias teve contribuição positiva de 0,9 p.p. ao resultado do PIB, devido à expansão de 1,5% no 1T/2024 em relação ao 4T/2023, nos dados com ajuste sazonal.

 

Apesar de o investimento FBCF (formação bruta de capital fixo) também ter tido contribuição positiva (+0,7 p.p.) ao resultado do PIB, com crescimento de 4,1% no 1T/2024 em relação ao 4T/2023, feito o ajuste sazonal, a taxa de investimento permaneceu em patamares relativamente baixos, com uma média de 16,5% nos últimos quatro trimestres. Destaque para os setores de bens de capital e construção.

 

De maneira geral, os resultados são positivos: a economia brasileira voltou a crescer depois de dois trimestres estáveis e a composição de seu crescimento melhorou, com forte desempenho dos investimentos, que tiveram a maior alta trimestral desde o primeiro trimestre de 2021. No entanto, para obter crescimento mais próximo do esperado, é necessária a aceleração da economia ao longo do ano, tendo em vista que o carry-over para 2024 está em 1,0% apenas.

 

Não se pode esquecer o desafio do trimestre atual (2T24), decorrente das tragédias ocorridas no Rio Grande do Sul. No entanto, espera-se que com quantia significativa de recursos mobilizados voltados para a reconstrução do estado seja possível uma rápida recuperação na região com reflexos no PIB do 3T/2024 e do 4T/2024.

>> Acesse o estudo completo aqui

 

 

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