Pular para o conteúdo principal

Menu

Economia e desenvolvimento Post

BNDES e Tesouro Nacional

A fim de atenuar os efeitos da crise internacional de 2008, o Tesouro Nacional iniciou, então, um processo de concessão de empréstimos ao BNDES. O objetivo era, por meio de financiamentos do Banco, aliviar as restrições de crédito das empresas e operar como fator contracíclico naquele contexto específico. Apesar da superação gradativa da crise, os repasses continuaram nos anos seguintes, servindo de funding para novos financiamentos. Entre 2008 e 2014, a soma dos empréstimos do Tesouro ao Banco alcançou cerca de R$ 416 bilhões em valores correntes, processo este associado a uma forte elevação dos desembolsos do BNDES.

A fim de atenuar os efeitos da crise internacional de 2008, o Tesouro Nacional iniciou, então, um processo de concessão de empréstimos ao BNDES. O objetivo era, por meio de financiamentos do Banco, aliviar as restrições de crédito das empresas e operar como fator contracíclico naquele contexto específico. Apesar da superação gradativa da crise, os repasses continuaram nos anos seguintes, servindo de funding para novos financiamentos. Entre 2008 e 2014, a soma dos empréstimos do Tesouro ao Banco alcançou cerca de R$ 416 bilhões em valores correntes, processo este associado a uma forte elevação dos desembolsos do BNDES.

A partir de 2014, houve acentuada desaceleração da economia, culminando na grande recessão de 2015 e 2016. A fragilidade das contas públicas ficou mais evidente, o que exigiu um ajuste fiscal por parte do Governo Federal. Nesse contexto, a partir de 2015 foram adotadas várias medidas, algumas delas envolvendo o BNDES, como a elevação da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 5,0% até 7,5%, e a interrupção de novos empréstimos ao Banco. Na sequência, o teto para operações do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) foi reduzido e se passou a discutir o pré-pagamento da dívida com o Tesouro, que teve início no fim de 2015.

O movimento de pré-pagamento foi facilitado pela redução dos desembolsos do Banco. A queda na demanda por financiamentos, reflexo da crise econômica, deixou elevado volume de recursos disponíveis no caixa da instituição.

Desde então, já foram devolvidos cerca de R$ 309 bilhões em valores correntes, incluindo os R$ 130 bilhões pagos em 2018, fazendo com que o estoque de crédito do Tesouro ao BNDES, que havia atingido valores acima de R$ 462 bilhões em 2015, caminhe para fechar o ano próximo a R$ 270 bilhões, desconsiderados os instrumentos elegíveis a capital principal.

A renegociação da dívida

Após essa fase de pré-pagamento, o status quo da dívida do BNDES com o Tesouro indicava um caminho mais suave até 2060. Contudo, a criação da Taxa de Longo Prazo (TLP) trouxe a necessidade de repactuar os passivos remanescentes entre BNDES e União. A mesma lei que criou a TLP trouxe a autorização para repactuar, além dos custos financeiros, os prazos dos contratos de financiamento já em curso. Nessa direção, a resultante foi um novo acordo realizado entre as partes – BNDES e Tesouro –, antecipando o prazo final da dívida em vinte anos.

Nesse contexto, a renegociação reduzirá significativamente o prazo médio da dívida, permitindo um fluxo de caixa mais favorável ao atendimento, no curto e médio prazos, das necessidades fiscais do Tesouro. O gráfico abaixo ilustra a trajetória dos saldos das dívidas original e renegociada, dados em R$ bilhões correntes (calculados segundo projeções macroeconômicas correntes no BNDES). Nota-se que a renegociação acelera a queda no saldo da carteira e, consequentemente, do estoque da dívida pública do governo geral.

BNDES - imagem ilustrativa

Para saber mais, leia o Texto para Discussão 131: A renegociação da dívida do BNDES com o Tesouro Nacional: antecedentes, motivação e desdobramentos, dos economistas Guilherme Tinoco, Fabio Giambiagi e Arthur Nunes, e dos engenheiros Julio Leite e Felipe Provençano, todos do BNDES. No texto, eles apresentam o histórico da relação entre o Banco e o Tesouro Nacional, trazendo os principais elementos e perspectivas do acordo de renegociação da dívida realizado entre as instituições em 2018.

 

 

Conteúdos relacionados

 

Resultado do Tesouro Nacional

A atuação histórica do BNDES: o que os dados têm a nos dizer? 

O BNDES e o investimento: 2000 a 2016 

 

Se você gostou desse conteúdo, confira esses:

Capa da noticia - <em>Startups</em>: o papel dos programas de aceleração no desenvolvimento de competências empresariais
Economia e desenvolvimento
Post

Startups: o papel dos programas de aceleração no desenvolvimento de competências empresariais

Além de capital humano, o capital gerencial tem se mostrado um grande desafio ao crescimento das startups. A avaliação do BNDES Garagem demonstra como programas de aceleração têm contribuído para a superação desse desafio.
Capa da noticia - Desafios do desenvolvimento no século 21: transições demográfica, climática e tecnológica
Economia e desenvolvimento
Entrevista

Desafios do desenvolvimento no século 21: transições demográfica, climática e tecnológica

O Blog do desenvolvimento conversou com Nelson Barbosa sobre os desafios atuais do desenvolvimento hoje.
Capa da noticia - Histórico das fontes de recursos do BNDES
Economia e desenvolvimento
Post

Histórico das fontes de recursos do BNDES

Desde sua criação, em 1952, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem sido o principal financiador do desenvolvimento brasileiro, ocupando um espaço central na economia do país, principalmente em momentos de crise, como as de 2008 e da Covid-19, e no combate à emergência climática. Para exercer esse papel, no entanto, são necessárias sólidas fontes de recursos.
Capa da noticia - Microcrédito no Brasil: histórico e legislação
Economia e desenvolvimento
Post

Microcrédito no Brasil: histórico e legislação

No Brasil, a primeira experiência em microcrédito foi desenvolvida pela União Nordestina de Assistência a Pequenas Organizações nas cidades de Recife (PE) e Salvador (BA). Conhecida como Programa Uno, funcionou de 1973 a 1991. Na década de 1980, surgiram as primeiras unidades da Rede Ceape e do Banco da Mulher, com objetivo de oferecer crédito a microempreendedores. Essas instituições eram afiliadas a redes internacionais, tais como: Acción Internacional, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Inter-American Foundation e Women’s World Banking.