O Brasil é historicamente caracterizado como um país de elevada desigualdade social. No terceiro trimestre de 2025, o índice de Gini da renda domiciliar do país alcançou 0,513.
A título de comparação, esse valor superava o índice alcançado nos Estados Unidos (0,42 em 2023), assim como o de países da América Latina, como Argentina (0,424 em 2024), Chile (0,43 em 2022) e México (0,435 em 2022), conforme dados do Banco Mundial.
As dimensões regional, de gênero e de raça são vetores importantes para a compreensão da elevada desigualdade de renda no Brasil.
A desigualdade regional implica a existência de regiões marcadas por baixo desenvolvimento econômico e social, nas quais boa parte da população não tem acesso a condições de vida dignas ou oportunidades para sua realização pessoal.
As desigualdades de gênero e raça também são relevantes, não apenas em termos da preocupação com equidade em si, mas também em virtude de a diversidade ser, segundo apontamentos na pesquisa econômica, um fator importante para a boa performance das empresas e o maior desenvolvimento econômico.
A edição de 2025 do Relatório de impacto das operações no combate às desigualdades avalia as três dimensões no contexto das operações de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
De forma geral, os dados apresentados apontam que o BNDES desempenha papel relevante no combate às desigualdades em suas múltiplas dimensões. Na questão regional, o crédito do Banco atua de forma menos concentrada do que o Sistema Financeiro Nacional, alcançando 81% dos municípios brasileiros – incluindo localidades sem agência bancária – e destinando cerca de 22% de seu apoio indireto a municípios de baixo IDHM, proporção muito superior à observada no SFN (cerca de 5%). Por fim, o novo Índice de Diversidade multidimensional, que incorpora representatividade, acesso a cargos gerenciais e equidade salarial, é introduzido para aprofundar o tema.