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A formação bruta de capital fixo: investimento para crescimento econômico

Estudo Especial n. 25 analisa os componentes da formação bruta de capital fixo no país, o histórico da taxa de investimento brasileira e seu patamar em relação aos demais países do G20.

Edição n. 25/2024

O investimento é variável fundamental para explicar a dinâmica e a trajetória da atividade econômica em função de seu duplo papel de estimular a demanda e expandir a capacidade de oferta.

Nos últimos anos, chama atenção não só o histórico de baixas taxas de investimento do Brasil – inferiores a 20% do produto interno bruto (PIB) e entre as menores dos países do G20 – como sua grande oscilação, com viés de baixa.

Como a taxa de investimento está ligada ao crescimento econômico do país, essa análise é fundamental. Vejamos.


Como é medida a taxa de investimento de um país?

Nas contas nacionais, o investimento de uma economia é dado pela formação bruta de capital fixo (FBCF). A FBCF representa a ampliação da capacidade produtiva e de geração de renda de uma economia por meio da aquisição de novos ativos fixos e do desenvolvimento de novos ativos intangíveis, e não deve ser confundida com investimentos de caráter meramente financeiro.

O que consideramos taxa de investimento nada mais é que a participação da FBCF sobre o PIB.

 

Brasil e G20: taxas de investimento

Em um comparativo de 2010 a 2022 a partir de dados do IBGE e do Banco Mundial, as taxas de investimento mais elevadas são observadas majoritariamente em países asiáticos, região que apresenta notável e persistente crescimento econômico nas últimas décadas.

A maior taxa de investimento do Brasil no período foi em 2013 (20.9%), desde então se mantendo abaixo de 20%. A título de comparação, o valor mínimo do indicador da China no período foi de 41,6% e a maioria dos países doG20 não apresentou taxas abaixo de 20% entre 2014 e 2022.

Além do baixo patamar das taxas de investimento do Brasil, preocupa também sua variabilidade ao longo do período. A variação, com viés de baixa, entre o seu nível máximo (2013) e mínimo (2017) foi a maior entre todos os países do G20. Isso é um indicador importante a se considerar, na medida em que as decisões de investimento de muitos agentes econômicos são fortemente impactadas pela expectativa de crescimento futuro da atividade econômica, e as oscilações na taxa de crescimento observadas nos últimos anos na economia podem indicar maior incerteza quanto ao futuro, levando os agentes econômicos à decisão de investir menos.

 

Análise dos componentes da FBCF pelo lado da oferta

Os componentes “Construção” e “Máquinas e equipamentos” juntos representam a quase totalidade da FBCF e, portanto, são responsáveis pela maior parte da variação da taxa de investimento. Enquanto fatores como restrições no mercado de crédito imobiliário, menor nível de investimento público (que é intensivo na contratação de construção) e dificuldades das próprias construtoras podem explicar a queda do componente “Construção”, o desempenho de “Máquinas e equipamentos” pode ser atribuído ao desempenho fraco da própria economia.

O componente “Produtos de propriedade intelectual (PPI)”, por sua vez, têm sempre se mantido em torno de 2% do PIB. No entanto, os investimentos em “Pesquisa e desenvolvimento” (P&D), ao contrário da tendência global, mostram tendência de queda. Se entre 2010 e 2015, estavam entre 0,8% e 0,9% do PIB, atingiram 0,5% do PIB em 2021, muito abaixo da média global no período, de 2,2% do PIB, segundo dados do Banco Mundial.

Por fim, o componente “Outros ativos fixos”, que representa ativos de caráter biológico, como animais para reprodução e plantações perenes, têm baixa representatividade e variabilidade, não sendo capaz de afetar significativamente o desempenho da taxa de investimento.

 

Análise da FBCF pelo lado da demanda

Três setores institucionais – “Empresas não financeiras”, “Governo geral” e “Famílias” – são responsáveis por quase toda a FBCF do Brasil.

O investimento das empresas não financeiras, relacionado ao aumento da produção e serviços mercantis, tende a seguir o crescimento econômico, apresentando, portanto, de queda a partir de 2014, em paralelo ao componente “Máquinas e equipamentos” do lado da oferta.

Já a FBCF do governo geral teve média de 2,3% do PIB entre 2010 e 2021, valor relativamente baixo. No mesmo período, esse indicador teve média de 5,1% no Japão; 4,7% na Coreia do Sul, 4,7%; e 3,7% na França. Essa trajetória é preocupante, tendo em vista que os governos desempenhem papel importante não só no incentivo do investimento privado em bens de capital fixo, mas no investimento direto em obras de infraestrutura como rodovias, portos e aeroportos.

O investimento das “Famílias” é composto em grande medida por aquisições de imóveis residenciais flutua basicamente por conta das condições de crédito do mercado imobiliário e da renda disponível dos indivíduos.

Em suma, os números sobre a FBCF no Brasil nos últimos anos apresentam um quadro geral preocupante. Em 2023, apesar do melhor desempenho da economia, os números iniciais ainda não indicam uma reversão do cenário: caiu 3,0%, fazendo que a taxa de investimento atingisse 16,5%, ante 17,8% em 2022. Faltam dados para uma construção melhor do diagnóstico dos últimos dois anos, mas é certo que a reversão desse quadro é necessária, e a retomada consistente do crescimento econômico é condição imprescindível para tanto.

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