Desempenho operacional do BNDES em 2025
O Estudo especial do BNDES 72 apresenta os principais destaques operacionais de 2025, tanto por recortes agregados quanto em relação a atuações mais específicas do Banco.
Desempenho operacional do BNDES em 2025
O Estudo especial do BNDES 72 apresenta os principais destaques operacionais de 2025, tanto por recortes agregados quanto em relação a atuações mais específicas do Banco.
O ano de 2025 caracterizou-se por um aumento sensível da demanda por recursos do BNDES, gerando reflexos nos dados de desempenho operacional de consultas, aprovações e desembolsos da maior parte dos setores apoiados.
O BNDES tem buscado retomar um papel mais ativo no processo de financiamento do desenvolvimento. Para isso, algumas medidas importantes foram tomadas ao longo dos últimos anos, como:
Em 2025, as consultas ao BNDES atingiram R$ 389 bilhões, um crescimento de 19% em relação a 2024. O grande volume de consultas nos últimos três anos aponta para a formação de uma carteira de projetos potenciais que tende a refletir, com o devido distanciamento temporal, na elevação das aprovações e dos desembolsos. As aprovações atingiram R$ 238 bilhões, uma alta de 12% em comparação a 2024. Já os desembolsos chegaram a R$ 170 bilhões, com crescimento de 27% em relação ao ano anterior.
Os pleitos de financiamento passam inicialmente, na modalidade direta, por consultas das empresas ao BNDES. Estas são posteriormente analisadas pelas equipes técnicas e submetidas à deliberação da Diretoria Executiva. A partir da aprovação, a operação é contratada e, subsequentemente, iniciam-se os desembolsos, que ocorrem de maneira escalonada ao longo do tempo. Na modalidade indireta, o BNDES oferta o funding ao agente financeiro credenciado, que assume o risco de crédito da operação e canaliza os recursos ao mutuário final.
Fonte: Elaboração própria com base em dados do BNDES.
As aprovações para o setor agropecuário atingiram R$ 54 bilhões em 2025, com alta de 4% em relação a 2024.
Fonte: Elaboração própria com base em dados do BNDES.
Ao longo do tempo, percebe-se não apenas um crescimento dos repasses com recursos equalizados do Plano Safra – caso em que o BNDES atua como executor da política pública do Governo Federal –, mas também um nível elevado de aprovações do produto BNDES Crédito Rural (linha própria de crédito destinada ao setor sem recursos equalizados).
Fonte: Elaboração própria com base em dados do BNDES.
O setor de comércio e serviços apresentou crescimento de 23% em 2025, com valores nominais aprovados de R$ 41 bilhões.
Fonte: Elaboração própria com base em dados do BNDES.
A indústria também teve um volume de aprovações significativo, chegando a R$ 71 bilhões, um crescimento de 35% em relação a 2024.
Fonte: Elaboração própria com base em dados do BNDES.
As aprovações destinadas a exportações alcançaram R$ 24,0 bilhões em 2025, com ênfase nas operações de pré-embarque (R$ 17,0 bilhões), que fornecem capital de giro para atividades de exportação. Merecem destaque, em particular, as operações de pré-embarque no âmbito do Programa Brasil Soberano (PBS), que atingiram R$ 9,2 bilhões em 2025. Em 2025, houve um crescimento de 30% nas aprovações destinadas às exportações.
Fonte: Elaboração própria com base em dados do BNDES.
As aprovações para inovação atingiram R$ 16,7 bilhões em 2025 (alta de 23% em relação ao ano anterior). Trata-se do maior valor nominal de apoio à inovação da série histórica do BNDES, iniciada em 1995.
É importante destacar que, do total de R$ 16,7 bilhões, R$ 14,8 bilhões do valor aprovado para inovação em 2025 tiveram origem no âmbito do BNDES Mais Inovação, concebido para o apoio à inovação e digitalização na indústria brasileira, tendo como custo financeiro majoritariamente a Taxa Referencial (TR).
Essa taxa é proveniente da mudança legislativa efetivada pela Lei 14.592, de 30 de maio de 2023, que permitiu que, entre 2023 e 2026, um percentual (de 1,5% a 2,5%) do saldo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) Constitucional seja destinado à aprovação de operações de inovação.
Fonte: Elaboração própria com base em dados do BNDES.
Em 2025, o Banco não apenas coordenou e estruturou algumas importantes emissões, como também proporcionou garantia sólida à subscrição de valores relevantes, sendo um dos responsáveis por fornecer liquidez ao mercado de capitais. Esse é um exemplo da complementaridade entre a atuação do BNDES e do mercado de capitais.
Foram R$ 31,6 bilhões em aprovação de debêntures incentivadas (conforme o artigo 2º da Lei 12.431, de 24 de junho de 2011), representando cerca de 20% de todas as emissões desse tipo realizadas em 2025.
Fonte: Elaboração própria com base em dados do BNDES.
Desde a retomada da aprovação de operações do Fundo Amazônia em 2023, foram aprovados R$ 3,7 bilhões em projetos.
Fonte: Elaboração própria com base em dados do BNDES.
Além disso, foi captado mais de R$ 1,5 bilhão, advindo de países como Noruega, Alemanha, Suíça, Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Dinamarca, Irlanda e da União Europeia.
O Plano Mais Produção (P+P) viabiliza financiamento contínuo para a política Nova Indústria Brasil (NIB). O BNDES já aprovou, desde a sua criação, R$ 287,4 bilhões para as operações de crédito no âmbito da NIB, sendo: R$ 203,6 bilhões no eixo Produtividade; R$ 46,3 bilhões no eixo Exportação; R$ 28,6 bilhões no eixo Inovação; e R$ 9,1 bilhões no eixo Verde.
O BNDES, em sua jornada de transparência ativa, publica mensalmente um painel para acompanhamento dos financiamentos da política industrial.
Fonte: Elaboração própria com base em dados do BNDES.
O BNDES também contribui para o processo de transição para uma economia de baixo carbono no Brasil, visando a mitigação e a adaptação à nova realidade climática global. A dotação orçamentária do Fundo Clima foi ampliada em 2024 e 2025 a partir da emissão de títulos sustentáveis (sustainable bonds) pelo Tesouro Nacional, aumentando sua escala de atuação. Com isso, somando os dois anos, as aprovações totalizaram R$ 22,7 bilhões. As principais modalidades de apoio foram projetos de transição energética; logística de transporte, transporte coletivo e mobilidade verde; indústria verde; desenvolvimento urbano resiliente e sustentável; e florestas nativas/recursos hídricos, vertentes da política operacional do BNDES.
Fonte: Elaboração própria com base em dados do BNDES.
O Plano Brasil Soberano foi lançado pelo Governo Federal em resposta à elevação unilateral, pelos Estados Unidos, das tarifas de importação sobre produtos brasileiros e teve como funding os recursos do Fundo de Garantia à Exportação. Seu apoio atingiu R$ 19,6 bilhões , concentrados nas modalidades de capital de giro e giro diversificação.
O objetivo central do plano foi mitigar os impactos sobre exportadores brasileiros, preservar empregos, sustentar a produção nacional e evitar que empresas com forte exposição ao mercado norte-americano sofressem uma ruptura abrupta de receitas. A estratégia foi organizada em três eixos: fortalecimento do setor produtivo, proteção dos trabalhadores e diplomacia comercial/multilateralismo.
O apoio ao segmento foi efetivado tanto pelas operações de financiamento, que ocorrem, em sua maioria, por meio de repasses da rede de agentes financeiros credenciados, quanto por meio de instrumentos de garantias.
O apoio total cresceu 45% em 2025, alcançando R$ 224 bilhões, divididos entre R$ 96 bilhões em aprovações de financiamento e R$ 128 bilhões alavancados por meio dos fundos garantidores (Fundo Garantidor para Investimentos – BNDES FGI, FGI Peac, Fundo Garantidor BNDES-Sebrae, entre outros).
Fonte: Elaboração própria com base em dados do BNDES.
A maior parte do desempenho operacional do BNDES em 2025, R$ 111,1 bilhões dos R$ 170 bilhões totais desembolsados, isto é, quase dois terços do total, ocorreu a taxas de mercado, com custo financeiro em TLP, Selic ou mesmo moeda estrangeira.
Fonte: Elaboração própria com base em dados do BNDES.
A parcela do apoio financeiro do BNDES realizada com recursos incentivados foi pouco superior a 34% dos desembolsos totais (R$ 58 bilhões), podendo ser dividida em:
A trajetória almejada pelo novo Banco objetiva recompor, em uma perspectiva de médio e longo prazo e de forma gradual e estrutural, sua capacidade de apoio ao desenvolvimento, elevando os desembolsos em proporção ao produto interno bruto (PIB) até níveis compatíveis com sua relevância histórica (em torno de 2% do PIB).
Esse movimento está ancorado em bases mais robustas e sustentáveis, marcadas por maior transparência, efetividade e mensuração de impacto e não pressupõe um retorno ao padrão de expansão observado no ciclo posterior à crise financeira internacional de 2008.
Ao fim de 2025, os desembolsos do BNDES corresponderam a 1,3% do PIB, patamar que representa avanço expressivo em relação aos níveis observados em 2019 e 2021 (0,7%).
Fonte: Elaboração própria com base em dados do BNDES.
Para que seja possível continuar apoiando o desenvolvimento, é fundamental que a instituição não apenas preserve suas fontes tradicionais, como os recursos do FAT, precavendo-se das possíveis alocações de despesas que estão originalmente fora do escopo de atuação do fundo, como também busque fontes alternativas de captação.
Recursos advindos de fundos públicos e da possibilidade da emissão do novo instrumento incentivado de renda fixa de mercado (letras de crédito do desenvolvimento – LCD) serão importantes, assim como a retomada das captações internacionais.
O BNDES do futuro deverá aliar um volume maior de operações à transparência e à efetividade de sua atuação, sempre atento a temas relevantes para a economia brasileira, como inovação, enfrentamento da transição climática, transformação digital, infraestrutura, industrialização e competitividade externa.
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