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Estudos especiais Post

Comentários sobre o PIB do 1T/2026

Em linha com as expectativas de mercado, a atividade econômica no Brasil apresentou crescimento de 1,1% no 1T/2026 na comparação com o trimestre imediatamente anterior, na série ajustada sazonalmente. Confira uma análise detalhada e uma previsão para os próximos meses no Estudo especial do BNDES 74.

O produto interno bruto (PIB) brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 (1T/2026) na comparação com o trimestre imediatamente anterior, na série ajustada sazonalmente. O resultado ficou, em grande medida, em linha com a mediana das expectativas de mercado (1,0%).

Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 3,250 trilhões no 1T/2026 e somou R$ 12,964 trilhões no acumulado de quatro trimestres. Na comparação interanual, a economia avançou 1,8% frente ao 1T/2025. Assim, o crescimento acumulado em quatro trimestres desacelerou para 2,0%, ante 2,3% na leitura anterior.

A aceleração do PIB na margem no 1T/2026 em relação ao 4T/2025 parece indicar a continuidade de um padrão de crescimento semelhante ao observado nos últimos três anos, caracterizado por expansão mais intensa no primeiro semestre e moderação no segundo.

 

Variação do PIB por trimestre (var. % T/T-1, com aj. sazonal)

 

Fonte: Elaboração própria com base em dados do IBGE (2026a).

Fonte: Elaboração própria com base em dados do IBGE (2026a).

Expansão na agricultura e na indústria

Após alta de 0,1% registrada no trimestre anterior, a agropecuária apresentou avanço de 2,0% no 1T2026. As estimativas mais recentes para a safra 2025/2026, divulgadas em abril, continuam a apontar para um avanço da safra neste ano.

Já a indústria cresceu 1,0% no 1T2026 ante o trimestre anterior, impulsionada principalmente pelo desempenho da indústria extrativa mineral, que avançou 3,6%, refletindo o aumento na extração de petróleo e gás.

Os serviços registraram avanço de 0,5% no 1T/2026, na comparação com o trimestre anterior, já descontados os efeitos sazonais, configurando desaceleração em relação à expansão de 0,7% observada no 4T/2025.

 

Consumo das famílias acelera

O consumo das famílias cresceu 1,0% no 1T/2026, contribuindo com 0,6 p.p. para o crescimento do PIB no período. Essa aceleração reflete algumas medidas de política econômica que afetaram a atividade nesse início do ano como: (i) ampliação da faixa de isenção do Imposto sobre a renda das pessoas físicas (IRPF) para rendimentos de até R$ 5.000, que elevou a renda disponível das famílias; (ii) a continuidade do crescimento do crédito consignado no setor privado; e (iii) o reajuste do salário mínimo e dos vencimentos de servidores públicos. Isso tudo em um contexto de mercado de trabalho ainda aquecido.

 

FBCF volta a registrar expansão

A formação bruta de capital fixo (FBCF), beneficiada pela incorporação de uma plataforma de petróleo importada em fevereiro, voltou a registrar expansão no trimestre (3,5%), após queda de 3,4% no 4T/2025, e contribuiu com 0,6 p.p. para a alta do PIB no trimestre. Já o consumo do governo avançou 0,4%, contribuindo com 0,1 p.p. para o crescimento do PIB no trimestre.

A taxa de investimento (FBCF/PIB) caiu para 16,7% entre o 4T/2025 e o 1T/2026, quando considerado o acumulado em quatro trimestres, a preços constantes de 2025. Na leitura trimestral, a taxa atingiu 16,5% do PIB a preços correntes, uma alta de 0,5 p.p. frente ao 4T25, influenciada novamente pela importação de uma plataforma de petróleo, impactando a taxa do 1T/2026.

 

Previsões para 2026

Para o ano fechado de 2026, o carry-over (carregamento estatístico) é de 1,4%. Isto é, se a economia brasileira apresentar variação nula na margem ao longo dos próximos três trimestre de 2026 (e não haja revisão significativa da série com ajuste sazonal), o crescimento médio anual será de 1,4%. A mediana das expectativas de mercado para o crescimento da economia em 2026, coletadas no Boletim Focus de 22 de maio de 2026, aponta para uma expansão de 1,89% em 2026, ao passo que a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda projeta crescimento de 2,3%.

Em resumo, a atividade econômica no Brasil acelerou no primeiro trimestre de 2026 quando se analisa os dados de margem, sobretudo em virtude do bom desempenho da agropecuária e da indústria extrativa, mas segue indicando um crescimento moderado para o ano, inclusive nos componentes cíclicos do PIB. Esse resultado indica que os efeitos defasados e cumulativos da política monetária contracionista continuam a se materializar nos dados de atividade. O conturbado contexto internacional, marcado pelo prolongamento da guerra entre Estados Unidos da América (EUA) e Irã, adiciona mais incerteza ao cenário doméstico. A taxa de crescimento interanual do PIB permanece, há três trimestres consecutivos, no patamar de 1,8%. Nos dados acumulados ao longo dos últimos 12 meses, o ritmo de crescimento da economia foi de 2,0%.