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Estudos especiais Post

O comércio exterior brasileiro de bens no 1º semestre de 2026

O Estudo especial do BNDES 82 apresenta o desempenho das exportações e importações brasileiras no primeiro semestre de 2026 sob as perspectivas de distribuição geográfica e composição das pautas.

O desempenho do comércio exterior de bens no primeiro semestre de 2026 (1S26) foi significativamente mais forte do que no mesmo período de 2025.

As exportações alcançaram US$ 184,8 bilhões, crescimento de 11,5% em comparação com o primeiro semestre de 2025, enquanto as importações somaram US$ 142,4 bilhões, um avanço de 5,1%.

Como consequência, o superávit comercial de bens ampliou-se de forma expressiva, passando a US$ 42,4 bilhões (aumento de 40,3%).

O resultado reforça a competitividade da pauta exportadora brasileira em um ambiente internacional caracterizado por elevada incerteza, tensões geopolíticas e mudanças constantes na política comercial das principais economias, em especial na dos Estados Unidos.

China permanece como principal destino das exportações brasileiras


Assim como em 2025, a China se manteve como maior destino das exportações brasileiras, tendo importado US$ 58,3 bilhões no semestre, valor 21,9% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Ainda que a economia chinesa esteja atravessando um período de desaceleração gradual, o país segue crescendo próximo à taxa de 5% ao ano, com elevada demanda por produtos brasileiros, como minério de ferro, petróleo, soja e carnes.

A diversificação dos destinos das exportações merece destaque, movimento favorecido pelas iniciativas diplomáticas e empresariais brasileiras, que abriram novas oportunidades para a pauta exportadora. A Índia ampliou suas compras do Brasil em mais de 88,0% – desempenho impulsionado pelo aumento nas compras de petróleo e derivados. União Europeia (UE), México e Singapura também registraram expressivo crescimento nas importações de produtos brasileiros.

Exportações brasileiras por mercado de destino

 Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Comex Stat/Mdic.

Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Comex Stat/Mdic.


A União Europeia manteve-se como segundo principal destino das exportações brasileiras, com US$ 26,9 bilhões no semestre, alta de 12,8% e participação de 14,6% do total exportado. Parte relevante desse crescimento concentrou-se em maio e junho, primeiros meses de aplicação provisória do Acordo Mercosul-União Europeia, que reduziu tarifas para parcela expressiva da pauta.

Por região geográfica, a expansão das exportações para China e Índia reforçou a posição de destaque da Ásia como principal motor do comércio exterior brasileiro de bens.

 

Exportações para os Estados Unidos e Argentina recuam


Na direção oposta, as vendas ao mercado estadunidense recuaram 13,0%, passando de US$ 20,0 bilhões para US$ 17,4 bilhões, com a participação do país como destino das exportações brasileiras caindo para 9,4%. A queda ocorreu em um contexto de maior protecionismo comercial e de mudanças implementadas na política tarifária estadunidense desde 2025 e ampliadas ao longo de 2026.

As vendas para a Argentina também apresentaram uma retração relevante de 19,4%, acompanhando a continuidade do processo de ajuste econômico no país vizinho, com a demanda por veículos permanecendo fraca durante boa parte do semestre. Como consequência, o Mercosul perdeu participação relativa como destino das exportações brasileiras.

Participação relativa dos principais mercados de destino das exportações brasileiras entre 2010 e 2026 (em %)

Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Comex Stat/Mdic. Nota: 2026 = primeiro semestre.

Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Comex Stat/Mdic. Nota: 2026 = primeiro semestre.


Petróleo, soja, minérios e carne bovina são destaques da pauta exportadora


Os combustíveis minerais permaneceram como o maior grupo de produtos exportados pelo Brasil, com suas vendas atingindo US$ 35,2 bilhões, crescimento de aproximadamente 28,1% em relação ao 1S2025. O resultado reflete tanto a manutenção de elevados volumes exportados quanto a favorabilidade dos preços internacionais durante parte do semestre em decorrência do conflito com o Oriente Médio, consolidando o petróleo como o maior contribuinte para o avanço das exportações brasileiras.

A soja e demais sementes e frutos oleaginosos mantiveram a segunda posição entre os produtos exportados, somando US$ 29,6 bilhões, alta de 14,5%. Apesar da acomodação dos preços internacionais após os picos observados nos anos anteriores, a elevada demanda asiática e o bom desempenho da safra brasileira sustentaram o crescimento das exportações do complexo soja. A participação desse grupo permaneceu próxima de 16% das vendas externas totais.

As vendas de minérios, escórias e cinzas, por sua vez, cresceram 18,0%, alcançando US$ 18,0 bilhões.

Da mesma forma, as exportações de carnes avançaram expressivos 27,8%. O resultado combina a expansão da demanda internacional por proteína animal brasileira com a antecipação de embarques de carne bovina para a China, em função da salvaguarda chinesa.

 

Em vigor desde 1º de janeiro de 2026, a salvaguarda chinesa sobre as importações globais dessa proteína fixou para o Brasil uma cota anual de 1,106 milhão de toneladas, sujeita à tarifa usual de 12% e sobretaxa adicional de 55% sobre o volume excedente, o que inviabiliza, na prática, embarques acima do limite.

Anunciada em dezembro de 2025, a salvaguarda tem duração prevista de três anos e abarca todos os fornecedores externos de carne bovina da China, entre eles Argentina, Uruguai, Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos. A cota brasileira foi distribuída entre os frigoríficos habilitados conforme o market share de exportação de 2025.


Entre os produtos manufaturados, observou-se uma alta relevante nas exportações de máquinas e equipamentos mecânicos, aeronaves e suas partes e máquinas e material elétrico. Embora ainda insuficiente para alterar de forma significativa o perfil da pauta exportadora, fortemente concentrada em produtos ligados a recursos naturais e agronegócio, o avanço desses grupos de produtos manufaturados sugere ganho gradual de competitividade de segmentos industriais específicos.

 

Exportações por capítulo do Sistema Harmonizado (SH2)

Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Comex Stat/Mdic. Nota: O Sistema Harmonizado, criado pela Organização Mundial das Aduanas, é um padrão utilizado mundialmente para classificar mercadorias no comércio exterior. O termo “SH2” refere-se aos dois primeiros dígitos do sistema, indicando o capítulo de agregação das mercadorias.

Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Comex Stat/Mdic. Nota: O Sistema Harmonizado, criado pela Organização Mundial das Aduanas, é um padrão utilizado mundialmente para classificar mercadorias no comércio exterior. O termo “SH2” refere-se aos dois primeiros dígitos do sistema, indicando o capítulo de agregação das mercadorias.


China, UE e EUA lideram o fornecimento para o Brasil, mas importações vindas dos EUA caem


Pelo lado das importações, a China permaneceu como o principal fornecedor do Brasil, com vendas de US$ 38,5 bilhões, crescimento de 8,0% e forte contribuição na importação de veículos híbridos e elétricos.

Os Estados Unidos mantiveram a segunda posição, embora as importações brasileiras de bens provenientes do país norte-americano tenham recuado 12,5%, cerca de US$ 2,7 bilhões, evidenciando uma desaceleração praticamente simétrica do comércio bilateral.

O aumento das importações provenientes da Coreia do Sul foi outro dos destaques do período, com as compras brasileiras do país asiático registrando expansão superior a 127% no comparativo com 1S2025. O resultado refletiu principalmente o aumento das compras brasileiras de partes de veículos, componentes eletrônicos e equipamentos produzidos no país asiático, além de uma plataforma de petróleo.

As importações originárias do México e da Rússia também cresceram, reforçando a diversificação dos fornecedores externos do Brasil.

Importações brasileiras por mercado de origem

Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Comex Stat/Mdic.

Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Comex Stat/Mdic.


Máquinas e equipamentos mecânicos lideram a pauta de importação


Máquinas e equipamentos mecânicos permaneceram como principal item importado, apesar da queda de aproximadamente 13,2% em relação ao mesmo período de 2025. Em contrapartida, destacaram-se os expressivos aumentos das importações de veículos automotores, com crescimento de 37,5%, além do avanço das compras de produtos farmacêuticos, produtos químicos e fertilizantes, refletindo tanto necessidades estruturais da indústria brasileira como elevação de preço de derivados do petróleo por conta do conflito no Oriente Médio.

Importações por capítulo do Sistema Harmonizado (SH2)

Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Comex Stat/Mdic. Nota: O Sistema Harmonizado, criado pela Organização Mundial das Aduanas, é um padrão utilizado mundialmente para classificar mercadorias no comércio exterior. O termo “SH2” refere-se aos dois primeiros dígitos do sistema, indicando o capítulo de agregação das mercadorias.

Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Comex Stat/Mdic. Nota: O Sistema Harmonizado, criado pela Organização Mundial das Aduanas, é um padrão utilizado mundialmente para classificar mercadorias no comércio exterior. O termo “SH2” refere-se aos dois primeiros dígitos do sistema, indicando o capítulo de agregação das mercadorias.


Superávit comercial


Os dados do primeiro semestre de 2026 confirmam o bom desempenho do comércio exterior brasileiro de bens. O crescimento das exportações (11,5%) em ritmo superior ao das importações (5,1%) permitiu elevar o superávit comercial em 40,3%, mesmo em um ambiente internacional adverso, contribuindo para o crescimento econômico, ampliando a disponibilidade de divisas e fortalecendo a posição externa do país. A composição da pauta exportadora confirma a elevada competitividade do Brasil no agronegócio e nos setores extrativos de recursos naturais.

 

Reorientação geográfica do comércio exterior brasileiro


A redução da importância relativa dos Estados Unidos como destino das exportações brasileiras deverá continuar ao longo dos próximos meses caso persista o contexto atual de imposição de tarifas e sanções aos produtos brasileiros pelo país.

Ao mesmo tempo, as exportações brasileiras têm conseguido ampliar sua presença em novos mercados, o que demonstra a capacidade do setor exportador brasileiro de manter sua expansão mesmo em um ambiente internacional caracterizado pelo aumento das barreiras comerciais e pela maior fragmentação geopolítica.

A crescente participação da Ásia como destino das exportações brasileiras indica uma continuidade do processo de reorientação geográfica do comércio exterior nacional.

Dessa forma, o cenário reforça a necessidade da continuidade do diálogo diplomático e empresarial com os Estados Unidos e da ampliação da rede de acordos comerciais do Brasil, de modo a aprofundar a diversificação dos mercados de destino das exportações.

Leia o estudo completo